A notícia abaixo gerou desconforto em diversos cidadãos brasileiros que questionam essa parceria e a existência de estudos ambientais sobre o tema.

Esse questionamento possui suas razões. Quando tiver um tempo leia a matéria da superinteressante a respeito da relação dos nosso professores Japoneses com os Atuns:

(http://super.abril.com.br/ecologia/fim-oceanos-447919.shtml).

Será o fim do atum no Brasil?

Caco Araújo.

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Uma parceria entre empresários japoneses e Norte-riograndenses da empresa Atlantic Tuna deverá duplicar a produção brasileira da pesca do atum, além de melhorar a qualidade dos equipamentos utilizados e da mão de obra que trabalha no setor, transformando o Rio Grande do Norte em um polo atuneiro. Batizada de Projeto Atum Brasil/Japão, a iniciativa deverá gerar mais de 2 mil novas vagas de emprego, de maneira direta e indireta, apenas no litoral potiguar, através da operação de 16 barcos japoneses que atuarão no território do Rio Grande do Norte.

Em coletiva, presidente da Fiern, Flávio Azevedo apresentou os números do novo investimentoEm coletiva, presidente da Fiern, Flávio Azevedo apresentou os números do novo investimentoA expectativa é de que o negócio permita a movimentação de R$ 114 milhões por ano, com a produção de atum do Brasil ultrapassando as oito mil toneladas por ano, que deverão ser negociadas com o Japão e os Estados Unidos. Hoje, são aproximadamente 4,1 toneladas, o que não representa nem a metade do que o país está autorizado a pescar, uma vez que o Brasil tem outorga para capturar cerca de 12 mil toneladas por ano de atum e com a vinda dos japoneses, o Rio Grande do Norte estará apto a alcançar essa meta.

Dentro do projeto, está prevista a chegada de 16 barcos orientais à costa potiguar, que serão operados por tripulantes japoneses ao lado de 380 brasileiros treinados no Rio Grande do Norte, através do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e Federação das Indústrias do RN (Fiern). Atualmente, três embarcações estão no Porto de Natal e uma delas deve ir ao alto mar hoje, enquanto as demais permanecem aguardando a chegada de documentos para operar. De acordo com o presidente da Fiern, Flávio Azevedo, todo o investimento do negócio será de responsabilidade dos japoneses e a iniciativa deverá modificar a realidade da pesca industrial no Brasil. “Pesaram a favor do RN, Natal ser um ponto próximo dos maiores produtores de atum, o Terminal Pesqueiro estar próximo de ser concluído e o Aeroporto de São Gonçalo começar a operar em breve”, detalha.

Cursos

A primeira turma a ser capacitada através da iniciativa será composta por 20 pescadores e iniciam as aulas na próxima segunda-feira, no Centro de Tecnologia Aluízio Alves. Este curso terá duração de quatro semanas. Já no município de Santa Cruz haverá treinamentos simulando longos períodos de confinamento no mar.

Em ambos os casos, instrutores japoneses serão responsáveis por ministrar os cursos e a expectativa é formar um total de 380 pessoas, para atuar nos 16 barcos japoneses.

Legislação foi flexibilizada para permitir projeto

Flávio Azevedo explica que em 2006 os três maiores países pesqueiros do mundo, que são Japão, Espanha e Islândia, estavam com suas cotas de pesca do atum no limite, enquanto países africanos e Brasil, cujas costas tomam o Atlântico Sul, pescavam entre 2% e 3% das suas cotas. Dessa forma, foi proposta uma redistribuição das cotas. Sob o argumento que o mundo deveria passar por uma crise alimentar, dentro de alguns anos, e o mar é uma das maiores fontes de alimento. “Ficamos preocupados, pois o Brasil não tinha equipamentos de pesca e em qualquer ramo, podemos dizer que a nossa pesca é semi artesanal. Não tínhamos equipamentos de pesca, nem mão de obra qualificada e esse projeto veio para modificar a realidade do nosso país”, afirma.

De acordo com o presidente da Fiern, havia ainda uma grande dificuldade, provocada pela legislação em vigor ser “arcaica”. Isso porque existe a Lei dos 2/3, determinando que empresas estrangeiras que queiram atuar no Brasil precisam ter pelo menos 2/3 dos funcionários nativos do nosso país. “Os brasileiros não tinham capacidade de operar um dos barcos mais modernos de pesca do atum, mesmo porque aqui não havia barcos como os que atuam no Japão. Agora, houve uma flexibilização nessa lei e ela só precisará voltar a ser cumprida daqui a dois anos, para que possamos formar mão de obra nesse período”, conta.

Santa Cruz abrigará centro de treinamento

Apesar de ser um projeto voltado à pesca, a cidade de Santa Cruz – no agreste potiguar – foi escolhida para abrigar o centro de treinamento, por dispor de um local onde poderiam ser erguidas instalações capazes de simular o confinamento que será vivido pelos pescadores em alto mar. “Os barcos passam 100 dias no mar e os pescadores precisam se adaptar a esse tempo longe da terra. Quem não conseguir ficar esse período longe da família e dos amigos, não terá condições de embarcar”, detalha o presidente da Fiern.

De acordo com Flávio Azevedo, as instalações da Fiern em Santa Cruz são muito boas e não estavam sendo utilizadas em sua plenitude. Assim, duas salas foram destacadas para abrigar os estudantes do projeto e modificadas, com o intuito de reproduzir um pouco dos ambientes nos quais os pescadores passarão cerca de dois meses e meio, em alto mar.

Para dar mais veracidade ao período que os alunos passam no centro de treinamento, os pescadores serão impedidos de sair do local, inclusive nos períodos de folga. “O confinamento precisa ser desde o alojamento, já que no mar não há mãe, irmão ou amigo. Se o pescador tiver uma dor de cabeça ou uma depressão, quem terá que prestar assistência será o companheiro de quarto e eles precisam ter plena convicção disso”, ressalta o diretor regional do Senai RN, Rodrigo Mello.

O primeiro curso realizado no local começará na próxima segunda-feira e durará quatro semanas. “O período é curto, por se tratar de um curso de aperfeiçoamento para alunos que já atuam como pescadores de outros tipos de embarcação e já estão acostumados ao mar”, explica Mello.

 fonte: www.tribunadonorte.com.br