Após 18 anos catalogando os animais da cidade de São Paulo, os pesquisadores levaram um susto: conseguiram ver -e fotografar- o maior primata das Américas, de cerca de 15 kg.

O muriqui-do-sul foi achado no Parque Estadual da Serra do Mar, que abrange parte da zona sul da cidade. Ele é um dos animais mais ameaçados de extinção entre os 700 que constam do novo inventário da fauna da cidade, a ser divulgado hoje.

Prefeitura de SP/Folha Imagem

Da  esquerda para a direita, a onça-parda, o pássaro pixoxó e o bugio,  alguns exemplos de animais ameaçados de extinção entre os 700 que  constam do novo inventário da fauna de São Paulo

Da esquerda para a direita, a onça-parda, o pássaro pixoxó e o bugio, alguns exemplos de animais ameaçados de extinção entre os 700 que constam do novo inventário da fauna de São Paulo

“Se acabar com essa espécie que mora numa faixa estreita da mata atlântica, ela acaba no mundo”, resume o biólogo Marcos Melo, da equipe da Divisão de Medicina Veterinária e Manejo da Fauna Silvestre (da prefeitura), responsável pelo levantamento.

A última vez em que uma lista assim foi publicada pela divisão foi em 2006, quando havia 433 espécies identificadas pelo órgão.

As 267 que surgiram desde então não se explicam por um aumento do número de bichos na cidade, mas porque mais áreas foram investigadas e os invertebrados (137) passaram a ser mais coletados.

Pixoxó e jaguatirica

De lá para cá, os registros de São Paulo ganharam, por exemplo, o pixoxó -passarinho muito vitimado pelo tráfico de aves-, o apuim-de-costas-pretas e a jaguatirica. Todos ameaçados de extinção.

“Ao mesmo tempo em que ficamos surpresos, ficamos preocupados, porque estão em locais vulneráveis, com problemas de caça”, diz a bióloga que coordena o projeto, Anelisa Magalhães.

O inhambu-chororó, por exemplo, parece uma galinha e, capturado, costuma virar refeição de moradores. Por isso, estava sumido havia mais de cem anos na cidade, embora seja comum no interior do Estado.

Era dado como extinto e entrou pela primeira vez na lista.

Vestígios

Nem todos os animais são realmente vistos. Os biólogos muitas vezes coletam pegadas, pelos, fezes e ruídos. Foi graças à gravação do som do sagui-da-serra-escuro que Anelisa pôde registrar o mamífero em 2006.

A onça-parda, muito rara, tinha deixado pegadas reconhecíveis ainda em 1994, mas no ano passado foi fotografada pela primeira vez. Pelo menos um macho e uma fêmea da espécie vivem na área de proteção ambiental Capivari-Monos.

Na mesma região foi fotografado um animal não identificado (“por enquanto, um E.T.”, brinca Anelisa), que pode ser um lobo-guará, se depender do relato de moradores e guardas.

Se não for apenas um cachorro grande, poderá se tornar o 31º ameaçado de extinção no inventário, que também tem 22 animais “quase ameaçados”.

Fonte: CRISTINA MORENO DE CASTRO
Folha de São Paulo