Fiscais apreenderam peças de decoração e roupas feitas com produtos silvestres.
Até tampa de privada feita com pedaços de borboletas foi confiscada na ação nacional.
 O principal objetivo do trabalho é conscientizar a população de que, ao comprar produtos com partes de animais, estão estimulando o tráfico e a caça dos bichos. 
 
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizou na quarta-feira (25/01) uma operação nacional contra o uso de produtos oriundos da fauna e da flora silvestres em peças de decoração, arte e roupas. A operação, batizada de Moda Triste, envolveu fiscais em todos os estados do país.

“As pessoas matam animais silvestres para utilizá-los como adorno. Em vez de preservar a natureza, as pessoas querem ter a natureza”, diz Luís Antonio Gonçalves de Lima, chefe da fiscalização do Ibama de São Paulo, que passou a manhã fazendo inspeções. “O comércio de artefatos feitos com subprodutos da fauna e flora silvestres vem sendo coibido pelos órgãos ambientais e o Ibama definiu o dia D de uma ação integrada. A idéia é inibir a prática”, explica.

Entre os itens apreendidos naquela manhã em São Paulo está até uma tampa de vaso sanitário feita com borboletas, além de colares, cocares, pulseiras e diversos tipos de artesanato.
Devido ao grande sucesso de operações passadas, várias lojas que antes vendiam esse tipo de produto optaram por não comercializar mais. Isso acarretou uma redução na quantidade de material apreendido. Na operação realizada em 2007, por exemplo, foram apreendidas 9.000 peças e emitidos mais de R$ 3 milhões em autos de infração.
Segundo a chefe de Divisão de Fiscalização de Fauna da Coordenação de Operações de Fiscalização da Dipro, Raquel Monti Sabaini, a Moda Triste é importante para informar às pessoas que não usem artesanato com penas de aves silvestres. “Elas usam sem saber que isso causa a mortandade de animais”, acredita.
Outros Estados
No Rio, fiscais apreenderam objetos de decoração, brincos e colares feitos com dentes e penas. A venda destes produtos, sem a comprovação da origem dos animais, é crime com pena de até um ano de prisão. Em Vitória (ES), foram apreendidas dezenas de estrelas-do-mar.
Em Roraima, a operação se concentrou na capital Boa Vista e começou de manhã estendendo-se até à noite, visto que algumas lojas de artesanato só abriam no período noturno. Foi justamente na última loja vistoriada que foram encontrados dois conjuntos constituídos por 1 arco e 3 flechas cada; o problema encontrado foi no fato das guias (parte de trás das flechas) serem constituídas de penas de mutum e arara.  O material (flechas) foi apreendido e foi lavrado um auto de infração no valor de R$ 30 mil.
No Pará foram lavrados 15 autos de infração, totalizando R$ 545.500,00. Foram apreendidos 765 artefatos ou partes de animais silvestres. Só no tradicionalíssimo Mercado do Ver-o-peso, Belém, os fiscais encontraram órgãos sexuais e olhos de botos, gordura (óleo)de jiboias, poraquês e antas, além de milhares de espinhos de ouriço-cacheiro ou cuandu, vendidos para “trabalhos de proteção” de casas e lojas.
Em Fortaleza (CE) foram apreendidos, por exemplo, brincos de pena e pulseiras com couro de cobra. Em Abadia de Goiás (GO), peles de jacaré e de rã. Já em Curitiba (PR), quadros, porta-joias e cinzeiros feitos com partes de borboletas e escorpiões; e, por fim, em Salvador, dezenas de estrelas-do-mar. Em Belém (PA), facas e bastões com dentes e couro de jaguatiricas.
No Espírito Santo, duas lojas foram multadas na Vila Rubim, no centro de Vitória. As multas chegaram a R$ 37,5 mil. Mais de 20 lojas comerciais foram vistoriadas pelos Fiscais, na Vila Rubim e no Marcado Capixaba nesta quarta feira. As duas lojas que foram autuadas na Operação comercializam Produtos Religiosos. A primeira possuía 50 cavalos marinhos dissecados e um couro de cobra e a segunda, 20 cavalos marinhos dissecados.

Fonte: apascs

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