Estimativas afirmam que restam apenas restam apenas 3.200 tigres em liberdade na Índia, Rússia, Camboja e Indonésia

AFP

O Ano do Tigre chinês começou neste domingo dia 14 de fevereiro, vai de encontro às esperanças dos ambientalistas. Os defensores dos animais lançaram uma campanha de mobilização para salvar os últimos exemplares desse felino que ainda vivem na Ásia.

Por outro lado, os defensores também temem que os tigres sejam caçados ilegalmente nos próximos meses devido à celebração da data.

Chris Shepherd, da associação para a proteção da fauna selvagem, afirma que essa mobilização tem que ser feita com rapidez.

– Se quisermos verdadeiramente salvar os tigres, temos que agir rápido. É agora ou nunca.

Segundo as estimativas, restam apenas 3.200 tigres em liberdade na Índia, Rússia, Camboja e Indonésia. Calcula-se que no último Ano do Tigre, em 1998, ainda havia 6 mil.

A mobilização para salvar os tigres da extinção começou em janeiro deste ano, na Tailândia. Os países que ainda contam com tigres selvagens se comprometeram a duplicar sua população até 2022, o próximo ano do felino.

Estrelas de cinema e esportistas na Índia foram recrutados para uma campanha publicitária protagonizada por Stripey, um adorável filhote de tigre, que já conta com 75 mil “amigos” em um site de relacionamentos.

A mensagem da campanha é: “Há apenas 1.411 tigres selvagens na Índia. Você pode ajudar a mudar essa situação”.

A proteção do tigre depende do êxito de uma dupla estratégia: conservar os habitats naturais, reduzidos pela atividade humana, e lutar contra a caça furtiva, ligada ao uso de seus ossos, dentes e bigodes na tradicional medicina chinesa.

Para conseguir isso, as autoridades devem enfrentar poderosos interesses agrários e florestais, além do lucrativo mercado negro.

Na Malásia, por exemplo, um tigre macho de quatro anos foi recentemente morto por indígenas contratados por uma rede de traficantes que utiliza as tribos para caçar nas florestas, segundo explica Shabrina Shariff, do serviço de conservação do estado de Perak.

A caça ilegal também existe na China, onde restam apenas 50 tigres selvagens. Mas para Xie Yan, da WCS (Sociedade para a Conservação da Vida Selvagem), existe uma oportunidade de salvá-los por meio da gestão das reservas naturais e da melhoria da sensibilização das comunidades locais.

Mesmo assim, é difícil criar as condições para a convivência entre o homem e o tigre, que precisa de um território de mais de 50 mil hectares. Na ilha indonésia de Sumatra, devido ao acelerado desmatamento, os conflitos se multiplicaram e ocasionam com frequência a morte de um ou do outro felino.

O governo indonésio acaba de lançar uma surpreendente iniciativa para salvar o tigre em Sumatra, onde restam apenas 400 exemplares: autorizar a adoção dos felinos nascidos em cativeiro como animais de companhia.

Para adotar tigres será necessário pagar um bilhão de rúpias (o equivalente a R$ 200 mil) e dar aos animais um espaço mínimo de 60 m2, explicou uma fonte do Ministério Florestal indonésio:

– Não vendemos nem alugamos os tigres, que continuarão pertencendo ao Estado. Autorizaremos somente que as pessoas cuidem deles. Elas deverão, para isso, respeitar um certo número de condições.

Segundo o ministério, muitos empresários ricos estão interessados em adotar os tigres. Esta iniciativa surpreendeu as associações de defesa dos animais, que acham que o Estado deveria cuidar da preservação do habitat natural.

Bustar Maitar, do Greenpeace da Ásia afirma:

– Esta não é uma solução para salvar os tigres. Melhor seria salvar as selvas onde vivem.

Na Indonésia há cerca de 30 tigres de Sumatra nascidos em cativeiro disponíveis para a adoção.

Fonte: R7.com

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