Meia-noite é hora de comemorar. Porém, o estourar de champanhe, os risos altos e a queima de fogos no céu durante o momento mais esperado das festas do Ano Novo, como foi no Natal, são sinônimo de momentos de terror para aqueles que não têm ideia de que todo esse barulho significa alegria.

Potencializado pela audição mais aguçada de cães e gatos, os ruídos proporcionam verdadeiros momentos de terror para os animais que, acuados, ou tentam de forma desesperada entrar em casa para fugir dos ameaçadores rojões ou então, dizem veterinários e voluntários engajados, buscam a fuga do lar para se protegerem, de alguma forma.

Com a sensação de que o mundo vai desabar sobre suas cabeças e ouvidos, os bichinhos, orienta a médica veterinária Mariana Fernandes Jorge, mais do que tudo nessas horas, buscam amparo nos braços ou ao menos com a companhia dos tutores. “O animal se sente mais seguro na presença do tutor”, garante.

Entretanto, sem o alento de ter o tutor por perto – pois o mesmo, no momento de festa de fim de ano, se não estiver na casa de parentes ou amigos estará recebendo convidados e, evidentemente, sem poder dar atenção ao bichinho – o animal procura abrigo seja dentro de casa ou fora.

“Cachorros querem entrar, enquanto entre os gatos também é comum tentar sair”, diferencia a veterinária, que alerta: as vezes é melhor deixar o animal buscar por um porto seguro – desde que garantido seu retorno, o que pode ser observado pelo comportamento do mascote – do que deixá-lo estressado, o que pode causar estragos tanto na casa quanto no próprio animal.

Gatos, principalmente, quando submetidos a estresse agudo, adverte a médica, correm sérios riscos. “Se o gato costuma sair e voltar, é melhor deixar. Caso o animal se estresse muito pode desenvolver até mesmo hipoglicemia, com convulsões”, alerta.

Abrigo

Para a voluntária Beatriz Schuler, uma das fundadoras do Instituto Vida Digna, que oferece amparo a cães e gatos em situação de abandono, não há nada melhor para o bichinho nestas ocasiões do que a companhia do tutor. Porém, existem outras maneiras de acalmar o animalzinho. “Existem florais que podem ajudar”, sugere.

Porém, na falta de mecanismos que tranquilizem o bichinho, o melhor mesmo é deixar que ele encontre um abrigo, de preferência, dentro de casa. “É sempre bom reservar um cantinho”, orienta Beatriz. “Nesses momentos, o que eles mais querem é encontrar um local escuro e fechado”, acentua.

Quando a fuga é inevitável, o primordial é identificar o animal, caso ele não consiga voltar para casa por seus próprios meios. “Aumentam muito os casos de abandono nesta época do ano”, constata a voluntária. “É importante que os tutores coloquem placa de identificação no animal, com número de telefone e endereço”, orienta.

Terror sonoro

“Um pavor total”. Assim a arquiteta Claudine Gottardo define a situação de seus três cães durante queimas de fogos. “Um deles tentou fugir e quase acabou atropelado”, recorda a tutora, que identifica um de seus cachorros com auxílio da eletrônica. “Fixei um chip de localização via satélite num deles, o que mais sai. Ele foi adotado, veio da rua e é mais difícil segurá-lo”, justifica.

Fonte: Jornal da Cidade de Bauru

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