A maioria dessas espécies que estão ameaçadas de extinção é nativa do Brasil

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O RAN (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios), do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), lançará em março de 2010, o Plano Nacional de Ação para proteger répteis e anfíbios que vivem em ilhas.

O plano será aplicado na Estação Ecológica de Tupinambás e na Área de Relevante Interesse Ecológico de Queimada Grande, ambas no litoral de São Paulo. As reservas são as únicas unidades de conservação que abrigam espécies desse grupo ameaçadas de extinção no país.                       .

Na atual lista nacional de espécies ameaçadas de extinção, publicada no ano passado com dados de 2003, aparecem três espécies de serpentes (Bothrops alcatraz, Bothrops insulares e Dipsas albifrons), uma de anfíbio anuro (Scinax alcatraz), e duas de tartarugas marinhas (a tartaruga verde e a tartaruga-de-pente). A analista ambiental do RAN, Yeda Bataus, afirma que todas as espécies terrestres mencionadas estão no maior grau de ameaça.

Embora não seja possível uma comparação entre a quantidade de cobras da Ilha Queimada Grande com a da Ilha de Alcatrazes, sabe-se que a primeira, possivelmente, seja a ilha com a maior densidade de cobras do mundo.

Sensibilização

Para Yeda Bataus, o difícil é sensibilizar a população para a necessidade do trabalho com essas espécies de animais. As serpentes, por exemplo, não encontram simpatia entre a maioria das pessoas.

Apesar disso, como qualquer outro animal, elas são importantes para o equilíbrio de um ecossistema, pois fazem parte de uma cadeia alimentar. E quando ocorre o desequilíbrio nessa cadeia, ele afetará também as espécies carismáticas.

A Ilha de Queimada Grande é conhecida pela enorme quantidade de cobras, especialmente a jararaca-ilhoa que, segundo alguns cientistas, é a serpente mais venenosa do mundo. O Instituto Butantan também faz pesquisas no local.

Répteis e anfíbios são de grande importância para a indústria farmacêutica e para a saúde humana, por isso muitas espécies são apreendidas ilegalmente e enviadas para o exterior, para grandes laboratórios ou colecionadores.

O veneno das serpentes, por exemplo, é alvo de grande interesse comercial para produção de medicamentos, como remédios para controle de pressão arterial, anticoagulantes e outros.

O chefe-substituto da estação ecológica, Gerhard Kempkes, ressalta que um conjunto de fatores levou essas espécies ao estado crítico de ameaça de extinção. Ele destaca, por exemplo, o fato de elas serem nativas das ilhas e, por isso, disporem de pouco espaço para encontrar alimento e para a reprodução. Além disso, há intervenções feitas pelo homem, como os exercícios de tiro realizados periodicamente pela Marinha na Ilha de Alcatrazes.

Duas espécies de anfíbios (a Scinax alcatraz e a nova espécie Cycloramphus faustoi) foram encontradas em bromélias situadas bem próximas do local em que a Marinha pratica tiro e onde já ocorreram incêndios na vegetação, o que as torna ainda mais ameaçadas de extinção.

Fonte: R7.com

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