Membros da comunidade ribeirinha que vivem as margens do rio Madeira, entre as construções das Usinas de Santo Antônio e Jirau, em contato com a reportagem do Rondoniaovivo.com disseram que peixes tradicionais do rio Madeira, como Mandi, Pacu e Bico de Pato estão desaparecendo e prejudicando o modo de vida daquela comunidade.

O pescador Álvaro Pires Pinto, que não quis ter sua imagem divulgada, com medo de represálias, informou aos repórteres do Rondoniaovivo.com que pesca há muito tempo nas proximidades da antiga cachoeira de Santo Antônio e percebeu a mudança radical que tomou conta do habitat natural da localidade com a escassez de pescado.

“Quando não tinha essa construção das usinas muitos pescadores conseguiam bastante peixes e distribuíam para toda a comunidade daqui do ribeirinho. Hoje, nem na boca da noite, quando o tempo está mais tranqüilo para pesca, a gente não consegue nada. Afetou muito nossa vida, pois vivemos e comemos da pesca. Sem peixe, não sabemos o que fazer”, disse Álvaro.

Para os pescadores da beira do rio Madeira a degradação ambiental que pode resultar no desaparecimento de várias espécies de pescado está ligada as explosões e implosões que ocorrem nos canteiros de obras das usinas, o que acaba afetando o ecossistema.

“O engraçado é que no início deste mês de setembro, o Ministério da Pesca lançou uma campanha, incentivando o consumo de pescado na mesa do brasileiro, mas mal sabe o Ministério sobre a escassez de peixe no rio Madeira”, disse um morador tradicional de Porto Velho, o policial civil federal aposentado Luiz Gonzaga.

PROSTITUIÇÃO

Outros ribeirinhos e pescadores das localidades de Santo Antônio e Jirau, denunciaram um segundo problema, sendo este, sobre a violência e prostituição que vem ocorrendo em ambas as construções das usinas que está trazendo medo para as comunidades que viviam tranqüilas em meio a natureza.

“Ninguém fala nada e nem comenta, mas são coisas como essas que estão acontecendo por causa das construções. A prostituição toma conta em alguns pontos, pois criou-se um comércio de sexo para atender gente que trabalha nessas obras. Não tô falando nenhuma novidade, pode mandar as autoridades visitar as comunidades”, disse um morador, que pediu para não ser identificado.

MAPEAMENTO

Em contato com a Coordenadoria de Educação Ambiental do Estado de Rondônia, a reportagem foi informada que na quarta-feira (09) técnicos da Caerd (Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia) e da SEDAM (Secretaria de Desenvolvimento Ambiental de Rondônia) realizaram uma reunião para discutir com os ribeirinhos sobre a pesca predatória. No entanto, na manhã desta quinta-feira (10) os Coordenadores de Educação Ambiental se reuniram com a comunidade do Bate-Estaca,onde pretendem fazer um levantamento ambiental na área e depois será elaborado um plano de ação para comunidade, com um mapeamento.

Fonte: Rondoniaovivo.com

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