Foto - Mar Morto

A maior depressão do planeta perde hoje um metro de água por ano e o nível continua a descer. Na década de 60 o lago estava a 390 metros abaixo do nível do mar; hoje está a 421,5 metros negativos.

Três governos têm responsabilidade sobre as águas do lago hipersalgado: Israel, Jordânia e a Autoridade Palestina. Em 2005, ambos concordaram que algo deveria ser feito para reverter uma catástrofe ambiental. Encomendaram os estudos necessários, os quais estarão concluídos em 2010. Os governos acham que a melhor solução para encher novamente o Mar Morto é transferir água do Mar Vermelho.

A ideia parece boa. Afinal, o Mar Morto está bem abaixo do nível do Mar Vermelho. A água viajaria graças à força da gravidade dentro de uma tubulação (ou em um canal a céu aberto), cruzando 200 quilômetros de deserto entre Israel e Jordânia. O desnível significativo poderia até fazer funcionar uma hidrelétrica e parte da água do mar seria dessalinizada para consumo humano. O custo é salgado: o projeto pode ultrapassar 5 bilhões de dólares.

Hoje, o lago norte e o lago sul estão separados por um longo trecho de areia. Há algumas décadas, a área seca não existia

Porém, a perplexidade é maior quando se considera que nenhum rio SAI do lago salgado. Este apenas recebe água. Desde os templos bíblicos, é a água do rio Jordão – e de outros riachos esporádicos que descem as montanhas que margeiam a depressão – que alimenta o lago. Ou, melhor, alimentava.

Numa região onde a água é um bem escasso, o fluxo do rio Jordão é utilizado ao máximo (principalmente para a agricultura) por jordanianos, israelenses e palestinos. Isso antes de chegar ao lago: cerca de 95% das águas do Jordão são desviadas. Sem um novo reabastecimento, o lago desaparece continuamente. “Em apenas 50 anos, conseguimos transformar o sagrado rio Jordão em um canal de esgoto e secar um terço da extensão do Mar Morto”, diz Gidon Bromberg, diretor da ONG conservacionista Amigos da Terra em Israel.

Conservacionistas, como os da ONG Amigos da Terra, acham que a solução deveria considerar o próprio rio Jordão. O que é necessário é um melhor manejo dos recursos hídricos. Afirmam que o projeto do Banco Mundial não contempla alternativas. Assinalam que os impactos ambientais de chupar a água do Mar Vermelho até o Mar Morto podem ser enormes e causar péssimas surpresas. Trazer uma grande quantidade de água de um mar normal (que possui uma composição bem diferente da do Mar Morto) transformaria o lago. A mistura poderia produzir reações químicas e criar desequilíbrios ainda maiores.

A alternativa preferida por alguns israelenses seria trazer a água do Mediterrâneo. A distância do porto de Haifa até o Mar da Galiléia (que escoaria a água até o Mar Morto) é de apenas 42 quilômetros, uma distância cinco vezes menor do que a opção do Mar Vermelho.

Outra causa do problema é a indústria Dead Sea Works. Da água hipersalgada, a empresa retira enormes montanhas de potassa (um sal de potássio) e outros minerais usados na produção de fertilizantes. Para isso, a fábrica criou centenas de lagoas de evaporação na parte sul do Mar Morto. O impacto foi tão grande que essa porção do lago desapareceu nos anos 80. Hoje, a água chega às lagoas de evaporação por um canal que vem do lago norte.

Quando colocamos os dados das mudanças climáticas na equação do Mar Morto, o panorama é ainda mais amedrontador. A temperatura na região deve subir de 1 a 2 graus C até 2030/2050. Isso significa que a evaporação será ainda maior no futuro.

Independente da proposta técnica encontrada, pelo menos há um ponto positivo nisso tudo. Israelenses, palestinos e jordanianos terão de trabalhar juntos – e em paz – para salvar o Mar Morto. Tanto a água como o possível defunto (o lago) pertencem aos três governos e isso é uma realidade.

 

Fonte de consulta e da foto

http://colunas.epoca.globo.com/viajologia/2009/01/25/o-mar-morto-esta-morrendo-ou-ja-morreu/

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