Mancha de combustível foi encontrada pela Marinha e                     Aeronáutica no oceano (Foto: Divulgação/Aeronáutica)             Por Marcelo Szpilman

Como já se começa a cogitar a participação dos tubarões na alegada incapacidade de achar os corpos das vítimas do acidente aéreo do voo Rio-Paris, da Air France, quando o Ministro da Defesa, referindo-se à presença de tubarões na área onde foram avistados os destroços, declara que “devemos lembrar que estamos na costa de Pernambuco e todo mundo sabe o que estou dizendo”, é preciso esclarecer alguns pontos importantes sobre o tema.

Mesmo estando próxima ao arquipélago de São Pedro e São Paulo a área onde foram encontrados os destroços situa-se no meio do oceano, região onde há a ocorrência de espécies de tubarão extritamente oceânicos. Significa dizer que nada tem a ver com as espécies costeiras que habitam o litoral de Pernambuco, notadamente o tubarão cabeça-chata, implicado nos raros acidentes que lá ocorrem, uma espécie territorialista de águas litorâneas que raramente se aventura em águas mais afastadas da costa.

 A área em questão é rota eventual de duas espécies de tubarões oceânicos, o galha-branca-oceânico e o tubarão-azul, que são e devem ser animais muito oportunistas. E explico o porquê. Todas as espécies oceânicas vivem em uma região que é considerada um “deserto de vida marinha”, ou seja, onde não há alimento fácil e disponível. Para sobreviver nesse ambiente, esses animais precisam ser naturalmente mais agressivos e investigar qualquer sinal de oportunidade de alimentação. Com seus excelentes sentidos de sensibilidade às vibrações e de olfato, percebem as alterações na movimentação e na composição química da água a quilômetros de distância e conseguem chegar à fonte de emissão desses sinais.

 No caso do trágico acidente do Voo AF 447, o impacto da aeronave e a grande quantidade de material orgânico disperso na água seriam sinais mais do que suficientes para atrair a atenção dos tubarões para a região. No entanto, como indicam as buscas, não há qualquer sinal de sobreviventes e os corpos das vítimas devem ter afundado junto com o avião. É evidente que, no caso remoto de alguns cadáveres retornarem à superfície dias após o acidente, em áreas possivelmente muito distantes do local do acidente, devido às fortes correntes marinhas nas grandes profundidades, os tubarões e outros seres marinhos poderão alimentar-se dos mesmos, como um fato da natureza.

 Na época da 2ª Guerra Mundial, quando houve centenas de naufrágios de navios torpedeados e quedas de aeronaves abatidas em alto-mar, o galha-branca oceânico e o tubarão-azul eram sempre os primeiros a chegar ao local do evento. Apesar dessas duas espécies não terem o hábito de atacar os seres humanos, nessas ocasiões, quando há grande quantidade de sangue na água, pode estabelecer-se um frenesi alimentar e ocorrer ataques aos feridos.

 As ilustrações dessas duas espécies e informações sobre o acidente podem ser vistas na matéria publicada no site do G1. Acesse o link abaixo.

http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1181323-5602,00-LOCAL+DE+BUSCAS+DO+VOO+TEM+TUBAROES+ESPECIALISTAS+EM+NAUFRAGIO+DIZ+BIOLOGO.html

fonte: Projeto Tubarões no Brasil

Instituto Ecológico Aqualung
Rua do Russel, 300 / 401, Glória, Rio de Janeiro, RJ. 22210-010
Tels: (21) 2558-3428 ou 2558-3429 ou 2556-5030
Fax: (21) 2556-6006 ou 2556-6021
E-mail:  instaqua@uol.com.br
Site: http://www.institutoaqualung.com.br

Anúncios