Solto é mais legal

O lançamento da campanha Pássaro Legal é Pássaro Solto, na última quinta (5), rendeu imagens inusitadas como estas aí acima, onde um rolo compressor passa sobre 500 gaiolas apreendidas e artistas adentraram uma gaiola gigante para demonstrar como se sentem pássaros engaiolados. A atividade aconteceu no centro de Teresópolis (RJ) e foi promovida pelo Parque Nacional da Serra dos Órgãos em parceria com Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Parque Estadual dos Três Picos. Tudo para conscientizar a população sobre os impactos do aprisionamento de aves silvestres e alertar que esta prática é crime ambiental. Este ano, já foram apreendidos 600 pássaros e aplicados mais de R$ 500 mil reais em multas na região do parque federal.

fonte: site O ECO – 10/03/2009, 14:31  – www.oeco.com.br

POEMA DE OLAVO BILAC CRITICANDO QUEM TEM EM GAIOLAS

O Pássaro Cativo

Poema de Olavo Bilac – autor do hino à Bandeira.
(escrito há 100 anos!!!)

Armas, num galho de árvore, o alçapão;
E, em breve, uma avezinha descuidada,
Batendo as asas cai na escravidão.

Dás-lhe então, por esplêndida morada,
A gaiola dourada;
Dás-lhe alpiste, e água fresca, e ovos, e tudo:
Porque é que, tendo tudo, há de ficar
O passarinho mudo,
Arrepiado e triste, sem cantar?

É que, crença, os pássaros não falam.
Só gorjeando a sua dor exalam,
Sem que os homens os possam entender;
Se os pássaros falassem,
Talvez os teus ouvidos escutassem
Este cativo pássaro dizer:

“Não quero o teu alpiste!
Gosto mais do alimento que procuro
Na mata livre em que a voar me viste;
Tenho água fresca num recanto escuro
Da selva em que nasci;
Da mata entre os verdores,
Tenho frutos e flores,
Sem precisar de ti!

Não quero a tua esplêndida gaiola!
Pois nenhuma riqueza me consola
De haver perdido aquilo que perdi …
Prefiro o ninho humilde, construído
De folhas secas, plácido, e escondido
Entre os galhos das árvores amigas …

Solta-me ao vento e ao sol!
Com que direito à escravidão me obrigas?
Quero saudar as pompas do arrebol!

Quero, ao cair da tarde,
Entoar minhas tristíssimas cantigas!
Por que me prendes? Solta-me covarde!
Deus me deu por gaiola a imensidade:
Não me roubes a minha liberdade …

Quero voar! voar! … “

Estas cousas o pássaro diria,
Se pudesse falar.
E a tua alma, criança, tremeria,
Vendo tanta aflição:
E a tua mão tremendo, lhe abriria
A porta da prisão…

Olavo Bilac

Colaborou: Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade
Jaraguá do Sul – SC
www.ra-bugio.org.br

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