O tema meio ambiente, focado nas conseqüências das mudanças climáticas, está mais presente na mídia impressa brasileira. Em 2005, foi publicado, em média, um texto a cada três dias sobre o assunto. Hoje, o número subiu para um texto e meio diariamente. As conclusões são da pesquisa A Imprensa Brasileira e o Meio Ambiente: o desafio das mudanças climáticas, realizada pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI) e apresenta durante o VI Simpósio Brasileiro de Educomunicação, evento que ocorre no Sesc Vila Mariana, na cidade de São Paulo (SP).

“A cobertura ainda não está perfeita, mas já existe uma preocupação e relevância sobre o tema”, disse o secretário executivo da ANDI, Veet Vivarta, durante a apresentação. O simpósio ocorre entre os dias 28 a 31 de outubro. O objetivo é discutir os desafios que o meio ambiente e sua preservação apresentam para a mídia, para o ensino e para as práticas das organizações sociais.

Na pesquisa, foram analisados os conteúdos de 50 jornais, divididos entre jornais regionais, jornais de abrangência nacional e jornais econômicos, com reportagens publicadas entre 2005 e 2007. A pesquisa ressaltou como a mídia dá relevância ao meio ambiente, como, e se, as informações são contextualizadas e como está a atuação da mídia em relação ao seu papel de fiscalização e investigação.

De acordo com o estudo, quando o assunto é meio ambiente, três temas garantem a agenda das mídias impressas: o efeito estufa, a energia e as conseqüências e impactos do aquecimento. “Na agenda, o que foi observado é que 18% das matérias tratavam de questões florestais, 11% sobre água e recursos hídricos e 10,7% de poluição urbana”, destacou Vivarta.

Segundo o secretário da ANDI, algumas datas foram relevantes para a questão ambiental na mídia, como por exemplo: o furacão Katrina (2005), o Relatório Sten (2006), o filme do ex-candidato à presidência dos Estados Unidos Al Gore “Uma verdade incoveniente” (2006/2007) e Relatório IPCC (2007).

Em relação ao tipo de material produzido, a pesquisa destaca que a maior parte das matérias é contextual. 56,15% problematizam a questão, mas apenas 19% avaliam o problema por meio de análises e reflexões.

“O que mais cresce é o espaço dedicado, matérias com mais informações, mais contextualizadas. O espaço para o debate aumentou”, ressaltou.

Um ponto da pesquisa que chamou atenção é que apenas 3% das reportagens cobram ou responsabilizam o governo brasileiro quando mencionam políticas relacionadas às questões climáticas e 4,4% cobram o governo estrangeiro.

Para Vivarta, isso acontece diante da relevância que o assunto é dado no âmbito internacional. “Muitas matérias tratam de protocolos e dos países que mais emitem gás carbônico”, completou.

A pesquisa também revelou que apenas 3,1% das matérias analisadas ressaltavam a questão do desenvolvimento sustentável. “Não discutimos modelos de desenvolvimento sustentável”, ressaltou Vivarta.

Fonte: Vivian Lobato / Envolverde / Aprendiz.

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