Mobiliar a casa sem ficar com a consciência pesada por causa da quantidade de árvores derrubadas é um sonho cada vez mais próximo da realidade. A solução vem de um material fabricado a partir de resíduos plásticos encontrados no lixo – de sacos plásticos e garrafas pet a embalagens de xampu e óleo lubrificante. Há quase vinte anos, o Instituto de Macromoléculas (IMA) da Universidade Federal do Rio de Janeiro pesquisa a produção e a utilização do que está sendo chamado de madeira plástica. Trata-se de um material resistente e durável que pode ser usado na fabricação de portas, janelas, móveis, assoalhos e de praticamente qualquer outro produto no qual se use madeira.

Além de poupar a natureza, o material contribui para a redução do volume de resíduos plásticos que chegam aos aterros sanitários – diariamente, 1 250 toneladas só no município do Rio – e produz renda para os catadores de lixo. “Retirando o plástico dos aterros sanitários, a vida útil desses depósitos aumenta”, diz Elen Pacheco, professora do IMA e coordenadora do projeto. Em sua composição, a madeira sintética leva cargas minerais e fibras naturais ou de vidro que aumentam sua resistência e estabilidade.

“O material pode ser serrado, aparafusado ou cortado como a madeira natural”, explica Elen. Esse processo de fabricação começa com a separação dos vários tipos de resíduo plástico. O material é então moído, lavado e seco. Depois de derretido, moldado e resfriado, está pronto para uso. A pesquisadora do IMA explica que é possível fabricar diferentes madeiras sintéticas, inclusive com tonalidades próximas às de madeira natural. “Tudo depende da utilização que se dará ao produto”, diz. Outra característica é a sua durabilidade, de até cinco décadas. Além disso, pode ser reciclada.

O resultado das pesquisas do IMA começa a chegar ao mercado. Recentemente, o instituto firmou uma parceria com uma empresa de São Paulo para que o material seja produzido em escala industrial. Mas conquistar clientes ainda é difícil. “Muita gente pensa que o produto reciclado é de baixa qualidade e que deve ser bem barato”, afirma o engenheiro Vladimir Kudrjawzew, um dos sócios da Wisewood, que vai produzir o material.

Por enquanto, uma peça de madeira sintética pode custar até três vezes mais. “Por quinze anos meu deque foi de peroba do campo”, conta o empresário Ramiro Martinez Filho, morador do Alto Leblon. “Mas um dia, ao sair da piscina, parte dele cedeu e meu pé afundou.” Dono da cobertura da foto acima, ele optou pela madeira sintética. E garante: “Poucos notam a mudança”.

 
Fonte: Vanessa Barbosa, da Revista Veja Rio

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