Rio Negro/Amazônia, por Davi de Aquino

Caros leitores, recebi esse artigo nesta manhã e achei muito importante compartilhar com vocês. Boa leitura!

Antes – Crescer cinqüenta anos em cinco – este foi o mote do Brasil na Conferência de Estocolmo em 1972. Como principal organizador do bloco dos países em desenvolvimento, que viam no combate à poluição um entrave ao progresso econômico, o País expressou claramente que não se importaria em pagar o preço da degradação ambiental, desde que o resultado fosse o aumento do PIB. A cidade de Cubatão, onde foi criado um dos maiores parques industriais da América Latina, apelidada de Vale da Morte, demonstrou o crescimento que se buscava, à custa de uma tonelada de poluentes jogados na atmosfera.

Várias indústrias de grande porte instaladas no complexo de Cubatão, uma imensa siderúrgica, refinarias, indústrias petroquímicas e de fertilizantes, todo este conjunto era responsável por efeitos impactantes sobre o meio ambiente de uma vasta extensão da Serra do Mar e até de uma grande área do Oceano Atlântico. Gases e partículas tóxicas na atmosfera irrespirável, enormes cargas de resíduos tóxicos lançadas no solo, nas águas e nos manguezais, falta de saneamento básico, uma tragédia ambiental consolidada. A Falta de informação de uma política habitacional que evitasse a ocupação de áreas impróprias e a formação de assentamentos e moradias irregulares também clamavam medidas urgentes.

Após dez anos, cujos índices de poluição cresciam junto com o crescimento econômico, verificou-se a necessidade de reformulação do órgão ambiental do Estado, criando-se em 1983 uma área específica voltada à educação ambiental, inaugurando uma política pública nesta área. Foi por causa de Cubatão que o governo teve as primeiras ações de educação visando neutralizar os problemas rotineiros de emissão de poluentes, consistindo em controlar as fontes de poluição do ar, da água e do solo.

A Elaboração de um Programa de Educação Ambiental foi necessária e tinha que conter a participação da comunidade na gestão e controle do seu próprio meio, tendo como objetivo levar aos habitantes as informações sobre o meio ambiente e desenvolver formas de promover a educação ambiental, proporcionando a participação direta das pessoas através do encaminhamento de suas propostas e questões. As ações educativas foram feitas em associações de bairro, associações de pais e mestres, grupos religiosos, sindicatos, partidos políticos, entidades ambientais, Câmara Municipal e Prefeitura, na rede de ensino, defesa civil, etc.

Duas décadas depois, agora chamado de Vale do Piaçaguera, ainda não conseguiu eliminar todas as fontes de poluição, mas a educação ambiental foi fator relevante, mais importante, para perder o apelido de Vale da Morte.

Hoje – Segundo a Lei n.° 9.795, de 27 de abril de 1999, a educação é um processo que possibilita às pessoas desenvolver as capacidades física, intelectual e moral, para uma melhor integração como indivíduos e na sociedade. Quando se estende esse conceito para a relação entre sociedade e natureza, entra-se no campo da Educação Ambiental.

Muito se discute a respeito da necessidade de formação de educadores ambientais não só no meio acadêmico porque a educação ambiental se faz no dia-a-dia junto a diferentes públicos. Como em todas as áreas do conhecimento, a aplicação dos conceitos à prática e a experiência frente a solução de problemas reais são fundamentais à consolidação e qualidade da atuação profissional. A prática sem fundamentos, sem dialogar com o conhecimento também não se efetiva. Esse entendimento é fundamental ao direcionamento da formação de educadores ambientais.

É muito comum pensarmos que, se cada um fizesse a sua parte, a realidade seria outra. É verdade que cada um deve ter a consciência de que pode mudar pelo menos o que está dentro de si, seus pensamentos e atitudes e influenciar o ambiente a sua volta. Mas, juntos, fazemos muito mais e melhor.

Amanhã – Nossa sociedade brasileira vive um momento em que devem ser observados os novos paradigmas ditados pela revolução técnico-científica informacional. Cobram-se da instituição escolar novas diretrizes em direção à compreensão da realidade. A rapidez com que se processam as informações exige uma constante busca por novas alternativas de aquisição de conhecimentos. A busca por novas identidades, a substituição de valores e a mudança de atitudes são o objetivo do momento. É imprescindível adquirir uma visão de conjunto, de mundo, de sociedade e natureza, pensando a cidadania como participação, integração a um todo maior estabelecido e vivido na realidade através da relação entre sociedade e natureza, na produção do ambiente. É necessária a continuidade dos trabalhos multidisciplinares extrapolar cada vez mais o campo específico de cada disciplina.

O caminho determinado pelo MEC, cujo item sobre meio ambiente e saúde, descreve o papel central da educação para a construção de um mundo socialmente justo ecologicamente equilibrado requer responsabilidade individual e coletiva em nível local, nacional e planetário. E é isso o que se espera da Educação Ambiental no Brasil.

A questão ambiental é abordada no resgate da cidadania, nas relações das pessoas com a natureza num determinado espaço e também pelos demais temas transversais, como ética, sexualidade, cidadania, saúde, cultura e trabalho.

O futuro esperado é que os educadores sejam estimulados, preparados e conscientizados da sua missão de também despertar consciências e talentos, inspirar pessoas e trilharem os caminhos da transformação pessoal, e, por conseqüência, do seu entorno, tornando-os capazes de atuar, buscar soluções e, coletivamente, construir realidades mais felizes para suas vidas.

Rosa Ramos, advogada, membro da Comissão de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional São Paulo, membro do CONSEMA – Conselho Estadual de Meio Ambiente e do COSEMA – Conselho Superior de Meio Ambiente da FIESP.

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