Para começarmos a falar sobre esse tema, devemos refletir um pouco sobre esse meio de comunicação tão difundido em nossa cultura, a TV.

Todo sucesso creditado a ela deve-se, em grande parte, ao fato desta aliar as qualidades do áudio com a facilidade do visual. Ao estudar um pouco de neurolinguística entende-se esse fenômeno com mais clareza, mas, em síntese, existem pessoas que possuem mais facilidade em captar as mensagens provenientes de fontes auditivas e outras, por sua vez, por fontes visuais. A TV possui ambos agregados e, sem dúvida, essa característica fez dela uma grande formadora de opinião.

Mas quando o assunto em pauta é a educação através da TV, detecta-se um grande paradigma: “Programas de TV Educativos são chatos e desinteressantes”. E, no meu modo de ver, não está de todo incorreto, se considerarmos a história da TV no Brasil.

Surgia no Brasil a TV, por volta de 1950 e, depois de alguns anos, ela já estava muito bem difundida na sociedade. Foi quando surgiu a necessidade de educar o população e esse inovador meio de comunicação foi utilizado em grande escala para esse fim.

Selecionavam excelentes professores e os colocavam diante da câmera e “Play”.

Muito bem, agora o povo estava sendo educado certo? Errado.

– Primeiro aprendizado: grandes professores não são, necessariamente, grandes comunicadores.

– Segundo aprendizado: As aulas dadas em uma classe, presencialmente, possuem uma linguagem própria e uma didática específica. Para trazer esse tipo de aula para a TV, é indispensável a adaptação, pois esse veículo de comunicação possui uma linguagem muito peculiar e uma ordem lógica para apresentação dos fatos dentro de um determinado programa.

Estes são apenas dois ingredientes dentro de uma receita muito complexa que torna o produto final interessante ou altamente desinteressante.

Fazendo uma analogia: Eu sei que para fazer um bolo tenho que utilizar leite, farinha, ovos, fermento, açúcar, sal e água. Mas o fato de conhecer os ingredientes não implica afirmar que posso misturar todos, colocar no forno e, como mágica, está pronto. Existem medidas para cada ingrediente, formas de misturar, tempo para assar, enfim, inúmeros detalhes que definem o sucesso da sua aventura culinária.

A TV é cheia de ingredientes que devem ser utilizados de maneira correta, sob pena de não alcançar o seu objetivo enquanto comunicador.

Baseado nessas informações começamos a entender um pouco sobre o Paradigma da TV Educativa no Brasil.

São poucos que se aventuram nessa honrosa batalha que é levar a Educação através da TV e afirmo categoricamente que é uma “batalha”. Para se derrubar a muralha que é o “paradigma da TV Educativa”, é necessário muito esforço, persistência, inteligência e amor pelo que se faz.

Sem isso, essa muralha é intransponível.

Caco Araújo

 

Anúncios