Todos temos acompanhado pela TV as notícias sobre a grande quantidade de pinguins que têm visitado as praias do Brasil.

Embora não se saiba exatamente o motivo dessa chegada, o fato é que as correntes frias aumentam em anos que acontecem o fenômeno chamado “La Niña”, o que é o caso de 2008 e, possivelmente, esses animais são arrastados por essas correntes, trazendo-os até o nosso litoral.

Na Bahia são recolhidos cerca de 20 Pinguins por dia mas eles também aparecem em muitas praias, desde os Estados situados ao Sul, passando por São Paulo e chegando até as praias do Nordeste.

Tenho recebido relatos de mergulhadores que foram recentemente para a Laje de Santos, no litoral Sul de São Paulo e, no caminho,  encontraram uma grande quantidade de Pinguins e muitos deles mortos. Embora esse animal nade primorosamente não podemos nos esquecer de que ele é um ser terrestre e não aquático! Depois de nadar por semanas, esgotados, acabam se afogando.

 Fenômeno Humano

Com a chegada desses visitantes ao nosso litoral, podemos ver um outro fenômeno:
O interesse pessoal do ser humano em obter vantagem em tudo.

É triste ver a postura de muitas pessoas que viram nessa chegada inesperada uma oportunidade de lucrar, sem ao menos levar em consideração o mal que estão fazendo em diversas esferas. Todos são prejudicados.

Os Pinguins são as principais vítimas afinal, pouco se conhece sobre sua natureza, seus hábitos, e muito do que se sabe é baseado no conhecimento popular que, como bem sabemos, é recheado de mitos.

É difícil de acreditar mas já ouvi relato de pessoas recomendando que se colocasse os pobres animalzinhos no gelo pois são acostumados com ambientes congelados. Acredita?

Também são prejudicadas as pessoas que capturaram os pinguins e/ou tentam vendê-los pois estão cometendo um crime ambiental e podem ser presos e responder a processo por essa atitude insensata.

O meio ambiente, como um todo, é prejudicado.

É fácil de entender porque a Amazonia é devastada, porque ainda acontecem as queimadas, porque não deixamos de usar nossos confortáveis veículos à gasolina, porque não deixamos velhos hábitos de consumo prejudiciais ao meio ambiente…

Tudo se baseia em uma necessidade básica de obter vantagem em tudo, mesmo que para isso alguém seja prejudicado. E muitas vezes atribuimos a culpa dessa situação em que o mundo está às grandes empresas, às grandes nações poluidoras, as instituições públicas que não fazem seu trabalho direito e outras “N” situações, mas continuamos com uma postura “abaixo de medíocre” com relação às pequenas atitudes responsaveis que deveríamos ter e não temos.

Se pergunte:

– Quanto de água potável eu tenho gasto lavando o carro, tomando banho e jogando privada abaixo?
– Quantos papeizinhos de bala eu já joguei por ai?
– Quantas oportunidades de separar o material para reciclar eu tive mas acabei jogando tudo no lixo?
– Para que eu vou ter o trabalho de fazer alguma coisa “ecologicamente correta”? O que eu ganho com isso?
– Quantas sacolinhas plásticas de mercado você já descartou esse ano? Elas levam 400 anos para se dissolver.

Para fechar, pense nisso:

Se você exterminar todos os focos do mosquito da dengue em sua residência é o suficiente para que você não contraia a doença?

Não.

Se os seus vizinhos não se mobilizarem e fizerem o mesmo, o risco continua.

Mas infelizmente, nos preocupamos somente com o que nós fazemos e esquemos que podemos ir além, motivando outras pessoas. 

Muitos só conseguem sentir o problema depois que se adoecem ou perdem alguém querido.

Com o meio ambiente é assim. A responsabilidade é sua! Mas vá além… Seja o exemplo, faça e motive quem está perto de você a ter uma atitude correta com a nossa “grande casa”, a Terra. 

Caco Araújo

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