Qual o seu comportamento diante da TV?

Essa é uma pergunta que poucos responderão com sinceridade. A maioria vai responder que seu comportamento não é alterado por causa da TV, ou seja, as informações que recebe desse meio de comunicação não influencia suas ações, mas sabemos que essa não é a verdade.

A TV, assim como outros meios de comunicação de massa, é uma grande formadora de opinião e, infelizmente, por algumas vezes essa age como manipuladora da massa. Arrisco afirmar que as principais vítimas dessa manipulação estão concentradas nas camadas sociais menos favorecidas e, consequentemente, menor nível de escolaridade.

Para exemplificar a força que possui esse meio de comunicação, vamos tomar por base o filme Jaws (Tubarão), um sucesso colocado em cartaz nos EUA na déca de 70, dirigido por Steven Spilberg. Esse sucesso de bilheteria motivou uma verdadeira matança de tubarões sob alegação de que todas espécies são assassinas. Hoje sabemos que grande parte dos ataques de tubarões acontecem por mera confusão, ou seja, é muito fácil para um tubarão confundir um surfista com uma foca ou uma tartaruga, tanto é que depois da primeira investida do animal, percebem o erro e, geralmente desaparecem. O fato é que são poucas as espécies de tubarões que oferecem risco aos seres humanos.

Tragicamente, o mesmo fenômeno aconteceu na Austrália, após a morte do famoso e polêmico apresentador Steven Irwin, o caçador de crocodilos, atacado no coração por uma arraia, durante as gravações de um programa de TV. Como mergulhador e cinegrafista subaquático, o encontro com esses animais é bastante comum, e afirmo que é muito improvável que, durante um mergulho, o mergulhador seja atacado por uma arraia. Mais improvável ainda é esse animal acertar seu ferrão (que fica na base da cauda) exatamente no coração. Tal precisão é inimaginável.

O fato é que depois desse acidente, tanto quanto na década de 70, surgiu uma repulsão por esses animas e diversas foram as notícias de matança de arraias no litoral da Austrália e nós do Brasil, que trabalhamos com mergulho vemos que esse acidente gerou uma certa inquietação na população, em geral.

Aproveito para refazer a pergunta:

Qual o seu comportamento diante da TV?

Infelizmente existe uma nova forma de jornalismo acontecendo no Brasil, que utiliza o sensacionalismo e a atitude exposiva dos seus apresentadores como forma de atração, já não mais noticiando apenas, mas também opinando e criticando. Uma forma de jornalismo que se auto-define como “verdade absoluta”, que cavalga no lombo das tragédias em busca de mais um ponto na audiência.

Ainda mantenho minha forma acadêmica de ver essa questão: O jornalismo deve ser isento de valores e opinião.

Toda vez que emitimos opinião, nas entrelinhas queremos adesão do maior número de pessoas à nossa forma de pensar. Mas será que estou com a razão? É arriscado e tolo opinar em público.

De todo o público que dedica parte do seu tempo em frente à esse meio de comunicação, quantos têm condições de filtrar o que assiste, separando o que é informação do que é lixo e delas fazer bom uso?

Por mais assustador que pareça, a TV tem exercido um papel ativo na sociedade, elegendo alguns, derrubando outros, motivando a sociedade a se movimentar ou mesmo estagnando-a.

Agora, cabe a nós olharmos esse meio de comunicação com um olhar mais crítico, tendo sempre em mente que a TV não é dona da verdade absoluta, nem tampouco é passiva como alguns pensam, pois manipula as informações conforme suas necessidades e interesses tão somente.

Busque o conhecimento e a sabedoria pois “O conhecimento da verdade trás libertação”

Matéria de Caco Araújo, postada no site Web Artigos.

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