Especulação imobiliária, turismo sexual, exploração da mão de obra nativa e degradação dos ecossistemas de trilhas e roteiros eco-turísticos caminham na contramão do turismo sustentável.

A harmonia, o equilíbrio, enfim, a sustentabilidade, entre a preservação das belezas e potencial natural destes roteiros, continuam dependentes de uma política que só existe para as verbas publicitárias do Governo e de grandes empresas.

A necessidade de uma gestão compartilhada entre Estado, comunidades e empresas é pauta constante de ambientalistas que acompanham a degradação dessas riquezas, seja na Bahia,
no Nordeste ou no Brasil.

A revolução tecnológica do mundo globalizado, aumentou o fluxo de pessoas pela Terra. Conforme dados da Organização Mundial do Turismo (OMT), houve um aumento de 15 milhões de turistas, entre janeiro e abril de 2007 e o mesmo período do ano anterior. Em 2006 o Brasil alcançou a receita cambial
turística de US$ 4,32 bilhões, superior em 11,78% ao ano de 2005 (US$ 3,86 bilhões). Para especialistas da área, o país poderia aumentar essas receitas se os roteiros fossem mais atrativos e adequados ao desenho do cenário sustentável.

Para ser classificado como sustentável o destino turístico deve atender a requisitos de práticas políticas e ações transversais, que levem em conta, sobretudo, a comunidade local, observando preservação de ecossistemas, tradições e resgate das raízes culturais, da identidade cultural do lugar,
oportunidade de geração de emprego e renda realmente inclusiva, e não maquiada com sub-empregos ou empregos temporários, que só exploram, a mão de obra local e alimentam demandas estimuladas por pacotes e campanhas publicitárias que seduzem e encantam, sem o compromisso de garantir estruturas para o bem estar de quem chega e de quem recebe.

Essa variável social envolve ações de comunicação, articulação e mobilização, com pesquisas, levantamento de dados, registros fotográficos, depoimentos, questionários, entrevistas, entre outras ferramentas da comunicação. Essas ações fortalecerão o quê os especialistas chamam de modelo
de desenvolvimento endógeno, com mobilização social, participação comunitária, estímulo ao potencial empreendedor, inclusão social e, conseqüentemente, desenvolvimento da comunidade local.

Embora o Brasil esteja no topo dos países mais biodiversos do mundo, estima-se que apenas 10% dos destinos turísticos brasileiros estão próximos de atender a todos os requisitos para serem considerados sustentáveis. Segundo informações do Conselho Nacional de Turismo, a Serra Gaúcha no Rio Grande do Sul, e Bonito no Mato Grosso do Sul, são os modelos mais próximos do que poderíamos chamar de um cluster de turismo, por atender pré-requisitos de práticas sustentáveis como uso de tecnologias limpas e alternativas, preservação de ecossistemas e modelo de gestão compartilhada entre Estado, Empresas e Comunidade local.

Matéria escrita por Liliana Peixinho – DRT 1.430, jornalista, ativista ambiental, Fundadora dos Movimentos 100% Voluntários AMA – Amigos do Meio Ambiente http://www.amigodomeioambiente.com.br e RAMA- Rede de Articulação de Mobilização Ambiental, articulista de jornais, sites e revistas como Envolverde, Folha do Meio Ambiente, Revista do Meio Ambiente, Roteiro de Lavras, Amigos do Planeta Terra, Ecoterra e membro de redes de educação e comunicação ambiental como REBEA, REBIA, REBIO, BECE, REBECA, RBJA, dentre outras, Moderadora/Coordenadora da Rebianordeste@yahoogrupos.com.br. Assessora de Comunicação da FABAC – Faculdade Baiana de Ciências. Pós – Graduada em Mídia e Meio Ambiente – MBA em Turismo e Hotelaria “O Papel da Mídia na Construção do Turismo Sustentável” – 2001 – 2004 – FABAC – Autora da proposta para tese de mestrado :” O Papel da Mídia na Construção da Cidadania Sustentável” e do Livro virtual e projeto ” Por um Brasil Limpo”

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