Um elemento muito utilizado na fabricação de caixas d´água, telhas, peças automotivas, entre muitos outros produtos, o amianto, foi responsável pela morte de inúmeros trabalhadores e hoje é colocado como vilão em diversas pautas nas esferas públicas, ongs e associação de trabalhadores.

fibra de amianto - colegiodinamico.com.br

O amianto ou asbesto é uma fibra mineral natural sedosa que possui propriedades potencialmente desejadas e tem sido largamente utilizado na indústria. Dentre suas características, destacam-se: alta resistência mecânica e às altas temperaturas, incombustibilidade, boa qualidade isolante, durabilidade, flexibilidade, indestrutibilidade, resistente ao ataque de ácidos, álcalis e bactérias, facilidade de ser tecida, abundância na natureza e, principalmente, baixo custo.

Está presente em abundância na natureza sob duas formas: serpentinas(amianto branco) e anfibólios(amiantos marrom, azul e outros), sendo que a primeira – serpentinas- correspondem a mais de 95% de todas as manifestações geológicas no planeta.

Já foi considerado a seda natural ou o mineral mágico, já que vem sendo utilizado desde os primórdios da civilização, inicialmente para reforçar utensílios cerâmicos, conferindo-os propriedades refratárias.

O Brasil produz anualmente cerca de 200 mil toneladas do produto e exporta 60% do que fabrica para países em desenvolvimento, como México, Tailândia, Colômbia e China. A única mina de amianto em funcionamento na América Latina fica na cidade de Minaçu, em Goiás. Cerca de 200 mil pessoas trabalham em sua extração, industrialização e venda. O Canadá é o maior produtor mundial, com a fabricação de 585 mil toneladas por ano.

área de mineração

A problemática:

Conforme a Agência Brasil, estudos técnicos do Ministério da Saúde apontam o amianto como problema de saúde pública e não apenas de saúde ocupacional.

Segundo o coordenador da Área Técnica de Saúde do Trabalhador do ministério, Marco Antonio Perez, “estamos fazendo é um esclarecimento do problema de saúde pública causado pelo amianto, um produto que pode causar câncer ou uma fibrose pulmonar progressiva e irreversível, além de causar outros problemas (…) O nosso foco é o bem estar, a qualidade de vida e a sobrevivência da população”, acrescentou. Perez informou que entre 1999 e 2004 foram registradas cerca de duas mil mortes associadas à exposição do amianto.

De acordo com ele, a maior parte dos casos não entra nas estatísticas oficiais, porque geralmente não é feita a associação entre a doença e a exposição ao amianto. “Na grande maioria dos casos, o diagnóstico diferencial não é realizado, daí a necessidade do Ministério da Saúde e do SUS acompanharem os expostos”, explicou o coordenador, ao destacar que a lista ajudará a conhecer a situação real do país, além de ter caráter preventivo.

Perez lembrou ainda que, por se tratar de um problema de saúde pública, o uso do amianto, inclusive da variedade crisotila, vem sendo proibido nos últimos anos em vários países.

A extração e o processamento dos silicatos fibrosos causam danos à saúde. Calcula-se que cerca de 2,5 mil trabalhadores estejam doentes no Brasil por causa do amianto. Para especialistas, esses números dão apenas uma pequena idéia do problema. Como o período de latência da moléstia é de 30 a 35 anos, o pico de adoecimento deve ocorrer nos próximos anos.”(fonte: Valor Economico/SP).

Fibra de Amianto (microscópio)

Doenças causadas pelo Amianto

É na inalação desapercebida das fibras que reside o perigo, uma vez que elas penetram nos tecidos pulmonares, sem que as defesas do nosso organismo as consigam eliminar. Este fato pode, após anos de exposição, levar ao desenvolvimento de doenças graves:

Asbestose

É a mais freqüente entre as enfermidades fatais. As fibras do mineral alojam-se nos alvéolos e comprometem a capacidade respiratória. É crônica, progressiva e para ela não existe tratamento. O doente sente falta de ar e cansaço excessivo. No quadro, a asbestose comprometeu 75% da capacidade respiratória dos pulmões. As partes escuras são o que resta dos órgãos

Câncer de pulmão

A exposição ao amianto aumenta até dez vezes o risco da doença. O paciente sente falta de ar, emagrece e tem dor no peito. É um tipo agressivo de tumor, que costuma espalhar-se para os rins, os ossos e o cérebro. O tratamento é feito com quimioterapia, radioterapia ou cirurgia

Mesotelioma

Câncer da membrana que envolve os pulmões (pleura). Só é causado pelo amianto. O paciente sente falta de ar e dor aguda no peito. O tratamento é o mesmo do câncer de pulmão, mas a cura é mais difícil. A sobrevida após o diagnóstico é de dois anos

Placas pleurais

Surgem na pleura e são benignas. Não há sintomas nem tratamento. O doente corre três vezes mais risco de sofrer de asbestose e dez vezes mais de ter mesotelioma

Opiniões contrárias à proibição do uso do Amianto

A CNTA – Comissão Nacional dos Trabalhadores do Amianto se coloca contrária a substituição do Amianto Crisotila, e justifica sua posição:

– Porque conhecemos o mineral e a regulamentação de uso prevista no Acordo Nacional;
– Porque o amianto crisotila é um mineral nacional;
– Porque o amianto crisotila gera divisas para o Brasil e o custo do produto final é baixo;
– Porque o trabalhador tem o poder de fiscalização no local de trabalho.
– Porque não existem dados técnicos que mostram que com o uso controlado ocorra o adoecimento de trabalhadores

Uso Controlado no Brasil

O uso controlado e responsável do amianto crisotila, aplicado no Brasil, garante total controle da emissão de fibras do mineral no ar, durante os processos de extração do mineral, produção e aplicação de materiais que usam o amianto crisotila como matéria-prima. O uso controlado inclui ainda análises, inspeção e fiscalização contínuas feitas pela empresa, pelo trabalhador e pelo governo, além de acordos firmados entre eles.

O Acordo Tripartite, homologado com representantes do governo, dos trabalhadores e empresários da mina de Cana Brava, das fábricas de fibrocimento e transportadoras do minério, resultou em leis rigorosas, acordos coletivos avançados e medidas de controle de alta tecnologia e eficiência.

Avaliação do Ambiente de Trabalho

O acompanhamento rigoroso do número de fibras por centímetro cúbico permite:
O conhecimento da concentração de fibras no ambiente de trabalho;
A avaliação das condições de trabalho;
A avaliação da eficiência do sistema de despoeiramento já instalado e das medidas de controle implantadas;
A detecção de anormalidades no sistema, possibilitando uma manutenção rápida e eficiente.

Como é feita a coleta do ar

No caso do amianto crisotila, o ar do ambiente de trabalho é coletado com o auxílio de bombas especiais de sucção dotadas de filtros de membrana. A análise é feita por meio de um microscópio, que aumenta a imagem em até 500 vezes. Os resultados são expressos em fibras por unidade de volume de ar – no Brasil, a unidade adotada é f/cm3 (fibras por centímetro cúbico). Fora das áreas de trabalho, a avaliação das fibras no meio ambiente possui técnicas diferentes e muito complexas, uma vez que as concentrações são muito menores – expressas em fibras/litro de ar – o que corresponde à milésima parte da concentração adotada no nível ocupacional.

Alguns Substitutos para o Amianto

Caixas de Fibra - Material que substitui o Amianto

Existem alguns produtos que podem substituir o uso do Amianto na Indústria. Entre eles se destacam a fibra cerâmica. A fibra cerâmica apresenta as mesmas propriedades físicas do amianto (denominação dada aos silicatos fibrosos), porém, sem os problemas que causa ao organismo humano, conforme o professor José Arana Varela, da Unesp, coordenador de Inovação Tecnológica do Centro Muldisciplinar.

Também já é possível observar a larga utilização de diversas fibras na construção de Caixas D´água e, ainda, a reutilização de embalagens TetraPak na fabricação de telhas.

fontes: ABREA – Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto, Agencia Brasil, CMI Brasil – Mídia Independente, Valor Econômico/SP, Comissão Nacional dos Trabalhadores do Amianto, Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho

Minha opinião: A discussão sobre esse assunto é indispensável e o desafio está em aliar os interesses comerciais sem, em hipótese alguma, colocar em risco a vida. Vale parabenizar o empenho das esferas públicas em aquecer essa discussão, o que está corretíssimo, no entanto, afastando um pouco do tema principal e fazendo uma reflexão: Já que o assunto é saúde, porque o tabagismo não é energicamente combatido? O índice de ocorrencias de câncer provenientes do consumo do tabaco é grande e cientificamente comprovado, mas a indústria do fumo continua na ativa!

Caco Araújo

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