O desmatamento na mata atlântica –bioma mais ameaçado do Brasil– desacelerou. Entre 2008 e 2010, a média anual caiu 55% em comparação a 2005-2008. Na década, a redução foi de 67% em relação à anterior.

Os dados são de um trabalho conjunto do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que forneceu imagens de satélite, e da ONG SOS Mata Atlântica, que fez o trabalho de campo.

“Foi uma redução significativa, e nós estamos comemorando, mas é preciso manter o alerta, porque ainda existem muitas áreas críticas”, disse Marcia Hirota, da SOS Mata Atlântica e coordenadora do atlas que reúne o resultado da pesquisa.

Na avaliação dela, as principais razões para o encolhimento do desmate foram a legislação (a mata atlântica é o único bioma que tem uma lei específica), além do aumento da fiscalização e das cobranças do poder público.

Entre 2008 e 2010, foram desmatados 31,195 mil hectares, o equivalente a um quinto da cidade de São Paulo.

Pela segunda vez consecutiva, Minas Gerais lidera a lista, com 12,467 mil hectares.

De acordo com Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da ONG, uma das principais causas da perda de cobertura florestal no Estado foi o “aumento da demanda por carvão vegetal para a siderurgia, especialmente de ferro gusa que é destinado ao mercado chinês”.

Em São Paulo, o desmatamento foi mais acentuado no município de Bertioga, na Baixada Santista. Segundo os autores, ele foi provocado principalmente pela expansão imobiliária da Riviera de São Lourenço.

“Nas regiões mais valorizadas, especialmente as costeiras, a questão imobiliária é o maior fator de desflorestamento da mata atlântica”, avaliou Mantovani.

ÁREAS CRÍTICAS

Paraná e Santa Catarina são apontados como um dos pontos críticos. Juntos, os dois Estados responderam por 42% de toda a floresta destruída desde que o levantamento começou, em 1985. As matas de araucária são as mais atingidas.

Para os autores, a aprovação do novo Código Florestal pode ser uma ameaça aos recentes resultados positivos. A situação mais delicada estaria na proteção das áreas de várzea, que seriam encolhidas com a nova legislação.

“Nós vamos ficar em cima. Nós temos imagens de satélite com alta precisão e podemos dizer onde, exatamente, está acontecendo o desmatamento. Queremos evitar a alegação de que derrubadas recentes são ocupações consolidadas”, disse Mantovani.

O levantamento analisou 98% da área do bioma no país. Dos 17 Estados em que ocorre, apenas o Piauí ficou de fora, devido a problemas com indefinição de critérios.

Atualmente, restam no Brasil apenas 7,9% da cobertura original mais preservada, em áreas acima de cem hectares.

 

Fonte: folha on line

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