São Leopoldo – O Rio dos Sinos recebeu, na manhã de ontem (27/01/2009), cerca de 60 peixes jovens da espécie dourado, que foram soltos por meio do Projeto Dourado. Desses, 12 animais receberam o implante de um transmissor, colocado momentos antes da soltura. O equipamento servirá para mostrar o comportamento dos peixes, indicando para onde
eles migram durante sua fase de crescimento e, principalmente quantos deles acabam descendo o rio até o Jacuí, saindo do sistema hídrico do Sinos.
A movimentação de ontem começou às 7h30, com a saída da área de reprodução do Projeto Dourado, no bairro Feitoria, em São Leopoldo. Às 11 horas, a equipe de biólogos e estudantes de Biologia
chegou na localidade de Fraga, interior do município de Caraá, onde se iniciou a operação. Os animais que receberam os transmissores foram sedados e receberam uma pequena incisão no abdômen para instalação dos aparelhos. Houve aplicação de antibiótico e a sutura.
Segundo o biólogo Mateus Leal, que coordenou as atividades de ontem, hoje o grupo deve fazer seus primeiros monitoramento dos peixes. “Vamos testar a aparelhagem, mas a pesquisa mesmo começa na próxima semana. Temos que dar uns cinco dias para os peixes se acostumarem com o transmissor e seu novo habitat.” Os peixes foram
colocados em pontos determinados do rio, onde estão as condições ideais de profundidade e disposição de alimentos.
A ideia é monitorá-los duas vezes por semana e acompanhar seu deslocamento pelo rio até junho. Tempo em que vai durar as baterias dos transmissores nos peixes. “Isso vai ser importante para sabermos a hora de executarmos projetos de repovoamento, quantos peixes poderemos soltar e onde, para o trabalho ser mais eficaz”, assinala Uwe Schulz, que é professor de Biologia e coordenador do Laboratório de Ecologia de Peixes da Unisinos.O Projeto Dourado é uma iniciativa do Comitesinos e da Unisinos, com patrocínio do Petrobras Ambiental.
Fonte: http://www.jornalnh.com.br
Fotos: http://www.unisinos.br
Caco Araújo







Este tipo de sistema é importantíssimo, porém é preciso tomar cuidado. Pouco se fala no Brasil sobre o próprio controle da atividade de monitoramento, pois creio que empresas especializadas em pesca gostariam muito de obter estas informações.
Se por descuido ou corrupção as informações de pesquisa caírem nas mãos de pessoas erradas, pode-se iniciar um ciclo vicioso causando enorme desequilíbrio ambiental, pois os pescadores conhecerão como ninguém o comportamento dos peixes, podendo realizar pescas em volumes predatórios.
Não basta controlar e estudar, é preciso controlar a informação.
Isso mesmo Rodrigo!
Existem informações que são extremamente confidenciais o que se aplica nessa pesquisa, afinal, se os resultados obtidos são divulgados indiscriminadamente, corre-se o risco de se por a perder todo o estudo. Bastante pertinente seu comentário. Obrigado.
Qual a procedência dos animais soltos? Vocês acham que a questão genética seria crucial ou impeditiva para o trabalho? E vocês acham necessário estudo da capacidade de suporte? E de eventuais doenças nos peixes que poderiam dizimar populações na natureza? Se o pessoal continua pescando sem controle, adianta tentar repovoar? Agradeço se houverem considerações a respeito das questões acima. Ps: não necessariamente eu concorde com elas, mas sou biólogo, tenho ouvido tais questionamentos, e tenho minha posição pessoal.
Olá Vincent, boa tarde.
Retransmiti seus questionamentos ao Prof. Dr. Uwe H. Schulz da Unisinos, que têm acompanhado de perto essas atividades, como segue:
- Qual a procedência dos animais soltos?
As matrizes dos peixes introduzidos são do próprio Rio dos Sinos.
- Vocês acham que a questão genética seria crucial ou impeditiva para o trabalho?
É crucial. É por isso que trabalhamos com material oriundo do Sinos.
- E vocês acham necessário estudo da capacidade de suporte?
Sim. A soltura esta executada em duas etapas: 50% dos peixes na primeira, 50% na segunda. Se a capacidade de suporte é ultrapassada, os peixes da segunda soltura deveriam dispersar mais do que o primeiro lote. A dispersão pode ser rastreado por radiotelemetria.
- E de eventuais doenças nos peixes que poderiam dizimar populações na natureza?
A piscicultura Daudt em São Leopoldo, que fornece os dourados, é parceira da UNISINOS em vários projetos de pesquisa. Como todos os peixes são marcados, cada indivíduo é examinado, pelo menos externamente. Ectoparasisitas como Lernea não ocorrem. Na piscicultura nunca ocorreu um surto de uma infecção acteriana. Os peixes soltos são em bom estado de saúde. Observações subaquáticas mostram um comportamento tipico e normal, os indivíduos agrupam-se em pequenos cardumes de seis até 12 indivíduos e são extremamente ativos.
Se o pessoal continua pescando sem controle, adianta tentar repovoar?
Se pesca continua sem controle, não adianta povoar. Porém temos indícios, que o comportamento da população da região hoje respeita mais a natureza. A ação constante do comité gerenciador da bacia hidrográfica, o Comitesinos, na área da educação ambiental, esta mostrando frutos. Os moradores da área da soltura são integrados no projeto e motivados como guardiões dos dourados, no sentido positivo. Percebemos que o cidadão que pesca, muitas vezes (nem sempre), é aberto para assuntos de conservação e quer contribuir, se ele é bem orientado.
Em geral: Repovoamento de rios com peixes é uma atividade licenciável.
Nosso projeto foi aprovado pela FEPAM, orgão ambiental do Rio Grande do Sul. Todas as dúvidas manifestadas são contundentes, mas foram observadas no desenho da experiência.
Agradeço seu interesse e suas colocações
Atenciosamente
Prof. Uwe
Prezados Caco Araújo e Prof. Uwe
Agradeço a pronta resposta, técnicamente embasada e esclarecedora, que só reforça a seriedade do projeto e dos pesquisadores envolvidos.
Acredito sim que com esses cuidados, não só podemos como devemos restaurar populações naturais de espécies sobreexplotadas.
Grato
Vincent