Na região que perpassa a Estrada Real, que ligava as cidades do Rio de Janeiro e Minas Gerais no período colonial, o estudo sobre o poder medicinal das plantas nativas está sendo esquecido.

Geralmente só pessoas de mais idade ainda preservam essa sabedoria, pois a geração jovem nem se quer conhece o poder da Natureza para o trato de inúmeras doenças até a cura de algumas. Plantas que foram utilizados há quase 200 anos para a saúde, hoje são muito pouco exploradas. O Brasil é privilegiado por abrigar imensa biodiversidade da flora, nossas plantas são exportadas em grande escala para a fabricação de diversos produtos.

Com o crescimento da fitoterapia, houve um aumento de pesquisadores e indústrias interessadas em investir em pesquisas e produtos naturais. Os avanços e processos biotecnológicos e o fácil acesso para registrar marcas e patentear vem estimulando cada vez mais as instituições internacionais nesta área. Infelizmente, a biopirataria também entra neste processo.
Estudos realizados demonstram como a intensa urbanização na região de São Félix do Xingú (PA), na Amazônia, contribuiu para a perda do conhecimento tradicional sobre as plantas nativas, principalmente aquelas utilizadas no tratamento da malária.

Desde a vinda da família real portuguesa para o Brasil em 1808, a presença de naturalistas estrangeiros trouxe um arsenal muito rico de informações sobre as plantas de caráter medicinal, principalmente na região de Minas Gerais. Em 1926, foi publicada a 1ª edicão da “Farmacopéia brasileira”.

A planta a esquerda é a Caroba (Jacaranda caroba), possui propriedades anti-reumáticas.

O conhecimento sobre plantas medicinais é passado de geração em geração, especialmente por pessoas que moram em municípios de pequeno porte com pouca urbanização. Nas cidades, a tendência é cultivar pequenas amostras de plantas em hortas e jardins, a maioria delas vindas de outros continentes. Se o conhecimento natural das plantas tivesse maiores repercussões entre os jovens, certamente nossa flora seria mais explorada, afinal nosso país tem o maior banco genético de flora, não seria tão interessante cultivar plantas de outros lugares do mundo.

Esta grande árvore é a Copaíba (Copaiba), extrai-se o óleo terapêutico Bálsamo. Outras espécies também podem ser pesquisadas como Carqueja (Baccharis genisteloides), a Quina (Remijia ferruginea), o Pacová (Renealmia exaltata). Haja leitura! Mas de fato é muito importante este conhecimento da Natureza. Quem sabe no nosso próprio bairro não encontremos plantas medicinais que podem apresentar um grande potencial medicinal.

Esperamos que “aflorem” maiores estratégias e iniciativas para proteger essa rica sabedoria de populações tradicionais sobre o poder das plantas medicinais para além de sua utilização, mas também para conscientização de gerações presentes e futuras.
Bruna Rosalem
Revista Ciência Hoje Jul/08
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