Por Ylka Gomes – Gestora Ambiental

O material poliestireno expandido, conhecido também como isopor, é fabricado há  muito tempo, e devido a modernidade atualmente está cada vez mais  comum este material em nosso meio.

Podemos encontrar isopor em diversos lugares, nas embalagens de eletrodomésticos, bichinhos de pelúcia em câmaras frigoríficas, na construção civil e em um série de outros produtos. Porém, sua composição tem um grande impacto ambiental, gerando uma enorme degradação no Meio Ambiente.

Esse problema está sendo enfrentado por diversas cidades grandes bem como as capitais, que já encontram muitos problemas com esse tipo de material, que vem saturando os aterros sanitários.

O isopor sozinho não polui nem contamina a terra, mas como leva centenas de anos para se decompor, acaba ocupando muito espaço, diminuindo a área útil dos lixões.

Algumas empresas por não terem onde descartar esse material acaba fazendo verdadeiras atrocidades ao queimarem grandes quantidades, normalmente à noite, o que agrava em muito o problema do aquecimento global, causador das constantes alterações climáticas, bem como aumenta a poluição do ar.

Só para se ter uma idéia no Brasil são fabricados por ano cerca de 45.000(quarenta e cinco mil toneladas) de isopor por ano segundo dados da Abrapéx (Associação Brasileira – Fabricante do isopor) isso sem falar nas embalagens que vem com produtos tipo exportação. Grande parte deste produto vai direto para os lixões.

E em razão do seu valor ser pequeno comercialmente, os catadores de papel também não catam o isopor que encontram pelas ruas, e os caminhões da coleta de lixo também já não coletam mais, fazendo com que a população queime o material como forma de descarte rápido e conseqüentemente contribui com a degradação da natureza.

Segue as etapas do processo de reciclagem do ISOPOR:

1ª Etapa: “Quebra” do isopor em pedaços menores (forma correta para melhoria da reciclagem e ocupação do espaço).
2ª Etapa: O material é aglutinado, através de exposição ao calor e ao atrito.
3ª Etapa: Já bastante adensado, o material é colocado na extrusora, onde é submetido a novo aquecimento, em temperaturas controladas, até seu “derretimento” (e não a queima). 4ª Etapa: Nesse estado, o isopor é homogeneizado e transformado em filetes, na forma de “espaguete”.
5ª Etapa: Depois de resfriados e secos, os filetes passam por uma máquina de picotes que transforma o poliestireno em grânulos.
Após a cinco etapas do processo de reutilização, conforme informado acima, o material está pronto para ser reutilizado novamente em diversas formas e formato.

Segundo a Associação Brasileira do Poliestireno Expandido (Abrapex), foram produzidas 55 mil toneladas do material no Brasil em 2007 e outras 2 mil toneladas foram importadas junto a equipamentos eletrônicos e diferentes bens trazidos do exterior.

O presidente da Abrapex, Albano Schmidt, conta que metade da produção nacional de isopor é usada na construção civil e fica incorporada à obra, mas o restante poderia ser transformado. 

O poliestireno expandido(EPS), ou isopor, como já visto, é totalmente reciclável e por isso, algumas empresas já desenvolvem programas com esse fim.

A cooperativa paulistana Coopervivabem é uma das empresas que começou a recolher e a vender o EPS em janeiro de 2007 e hoje funciona como um ponto de coleta para as outras cooperativas de reciclagem da cidade: ela compra o produto sujo, faz à remoção de fitas adesivas, papéis, grampos e outros materiais e o revende.

Depois de limpo, o isopor da Coopervivabem é encaminhado para a Pró-Eco ( http://www.proecologic.com.br ), única recicladora totalmente dedicada ao EPS no Brasil. Há um ano e meio no mercado, a empresa desenvolveu uma tecnologia que retira o oxigênio do material, diminuindo seu volume.

Sem oxigênio, o EPS passa a ser uma massa compacta, que depois é novamente transformada em grãos e encaminhada para a fabricação dos mais diferentes produtos, como rodapés, molduras, porta-retratos, cabides e réguas.

A Pró-Eco tem capacidade para processar 600 toneladas de isopor mensalmente, mas que até agora só conseguiu transformar 100 toneladas por mês. Um dos motivos para a ociosidade da indústria é a falta de conscientização da população e das empresas geradoras de embalagens de EPS, além da dificuldade logística causada pelo grande volume e pouco peso do produto.

Além do processo feito pela Pró-Eco, existem ainda outras formas de reciclagem mecânica – que reintroduz o material triturado em novas peças de EPS, especialmente em blocos para construção – e de reciclagem química, que dissolve o produto para a fabricação de colas, solventes, solados de calçados e outros.

Porém, apesar das diversas formas de se reciclar o EPS, existe uma única forma de reciclagem em grande quantidade deste material, que á través do  termobloco, produto desenvolvido em Tubarão SC as margens da BR101.

O termobloco é um bloco pré-moldado a base de cimento isopor e aditivos que não só trazem benefícios a natureza, mas também a quem utiliza, pois diminui o gasto com estrutura, aumenta o conforto térmico diminuindo drasticamente o consumo de energia com climatisadores de ar (ar condicionado).

Vale lembrar também que se tivéssemos várias fábricas desse produto no país proporcionaria uma vida mais digna aos catadores de papel, com um reforço financeiro na venda do produto.

Enfim, para que se possa melhorar a reutilização do poliestireno e evitar maiores danos ambientais, a sociedade, como as empresas, devem-se conscientizar da importância de efetuar o descarte deste material de forma correta e não como lixo comum, pois assim, todos contribuirão com a melhoria do meio em que vivemos.

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