Perda de animais nas estradas, uma triste realidade

Matéria de Bruna Rosalem*

O Brasil possui uma das maiores biodiversidades de fauna e flora do planeta.

Espécies de plantas e animais são a grande riqueza que este país abriga em seus magníficos biomas. Dentre os animais, os mamíferos conhecidos em todo o mundo somam 4.650 espécies, no Brasil são registradas 524 espécies, das quais 70% é encontrado na Amazônia brasileira.

Infelizmente, dados revelam que as mortes por atropelamento são consideradas hoje a segunda maior causa de perda da biodiversidade da fauna em todo o planeta, perdendo apenas para a supressão e a redução de ambientes naturais.

Existem poucos estudos realizados sobre acidentes letais com animais em rodovias ao redor do mundo. Alguns casos podem ser registrados como a rodovia BR-262, no Mato Grosso do Sul, cujos resultados confirmaram que 41,7% dos acidentes com choques nas estradas envolvem animais domésticos ou silvestres.

Um outro estudo iniciado em 2006 na BR-040, entre Juiz de Fora e Petrópolis, por Cecícilia Bueno em parceria com a APA Petrópolis através da gestora Yara Valverde e a Concer, concessionária da via, a financiadora. Conhecido como “Caminhos da Fauna”, foi pioneiro no estado do Rio de Janeiro, buscou conscientizar motoristas sobre mortes e atropelamentos de animais no trecho, também realizou monitoramento e identificação dos animais atropelados ao cruzar a rodovia.

Um outro exemplo foi o projeto de monitoramento do Parque Nacional das Emas, em Goiás, reconhecido pela diversidade da fauna que habita aproximadamente 132 mil hectares. O parque está repleto de corredores ecológicos cortados por rodovias que movimentam o escoamento de grãos do centro-oeste. Diversas vezes ocorrem atropelamentos de animais silvestres nas rodovias do entorno do parque. O objetivo seria identificar as áreas mais críticas e criar corredores e passarelas que possam permitir a circulação dos animais sem riscos de acidentes.

Na rodovia ES-060, conhecida como Rodovia do Sol, no trecho que liga Vitória e Guarapari, no Espírito Santo, a empresa RodoSol, desde 2001, realiza um monitoramento sistemático de animais silvestres atropelados.

Todos esses exemplos de projetos e iniciativas para monitorar e registrar os diversos animais que sofrem acidentes rodoviários são interessantes para conhecermos algumas tentativas de conter essa situação alarmante.

Mas ainda é muito pouco. Existem muitas regiões brasileiras em que o monitoramento não está sendo realizado, não há manutenção dos corredores ecológicos, os animais acabam tendo que atravessar as rodovias diariamente, além de inúmeras outras mortes não serem registradas, sequer divulgadas.
É preciso manifestar maiores interesses, disseminar informações, realizar mais campanhas, iniciativas da população, dos governos, das empresas de rodagem.

Como é possível que já há algum tempo esse assunto não está sendo explorado pelos nossos jornais, nos meios de comunicação de massa, ou mesmo, por tantas organizações da sociedade civil de defesa animal?
Poderíamos nos mobilizar de algum forma, chamando a atenção dos governos, das empresas, das pessoas ao viajarem, para manterem o cuidado com a travessia de animais, atentar as placas, diminuir a velocidade em trechos  de mata.

Quanto às empresas e governos, propor mais monitoramentos, corredores e passarelas, incentivá-los na preservação de nossa fauna.

Até quando os animais terão um espaço pra viver?

Pensemos nisto.

Ciência Hoje . Vol 42 . nº 250
Ciências Naturais, Belém, v. 1, n. 3, p. 77-83, set-dez. 2006

* Bruna Rosalem: Pedagoga – Faculdade de Educação – UNICAMP
SEJA-Grupo de Pesquisa e Ação em Educação Socioambiental